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Saída de Bombeiros do Interior do Porto Condiciona Resposta das Corporações

em Sab Ago 02 2014, 19:00
A emigração está a diminuir o efetivo de várias corporações de bombeiros do interior do distrito do Porto,
condicionando a sua operacionalidade, apurou a Lusa junto de vários comandantes.

A emigração está a diminuir o efetivo de várias corporações de bombeiros do interior do distrito do Porto, condicionando a sua operacionalidade, apurou a Lusa junto de vários comandantes.

Os números apontam para a diminuição de dezenas de bombeiros, sobretudo nos últimos cinco anos, a maioria do sexo masculino, o que tem reduzido a capacidade de prontidão no socorro.

O caso mais preocupante ocorre em Entre-os Rios, Penafiel, onde a corporação viu partir, em cinco anos, 30 elementos.

Atualmente, o corpo ativo é composto de 44 elementos e no quadro de reserva estão 60.

À Lusa, a comandante Isaura Rocha reconheceu que a diminuição de operacionais "faz uma diferença astronómica".

"Com o voluntariado e a escala rotativa, os elementos que ficam têm cada vez mais trabalho, porque são em menor número", explicou.

A corporação de Entre-os-Rios tem a decorrer uma formação de bombeiros com 30 elementos. Desses, cinco vão entrar, ainda este mês, em estágio de seis meses e 13 acabam o estágio em setembro, podendo integrar a corporação.

Apesar da diminuição de elementos, a corporação tem, até setembro, duas equipas de combate a incêndios (ECIN), compostas por cinco elementos cada.

"É o primeiro ano em que isto acontece na corporação", referiu, observando ainda: "O desemprego prejudica-nos e ajuda-nos ao mesmo tempo".

Os 10 elementos que compõem as equipas estão atualmente desempregados e poderão ter de abandonar a corporação em setembro, quando acabar o programa de ECIN.

A situação de Entre-os-Rios repete-se em várias corporações da região, mas com menor impacto.

Os bombeiros de Celorico de Basto, atualmente com 100 elementos no ativo, perderam 15 devido à emigração.

Com a falta de resposta de trabalho no concelho, "os bombeiros celoricenses são obrigados a procurar novos rumos", realçou o comandante Marinho Gomes.

"Neste momento, não temos desempregados nos bombeiros, mas temos alguns elementos que estão a tirar cursos superiores e que, no final, vão ter de procurar trabalho fora", lamentou.

Situação semelhante ocorre nos Bombeiros de Baião. Com 92 elementos no ativo, a corporação viu partir 15 homens e mulheres nos últimos cinco anos.

"É uma situação preocupante, porque nos levou um grupo dos melhores bombeiros que tínhamos", salientou o comandante José Costa.

"Os que emigraram estavam mais ligados à construção civil e os que mais trabalham no monte, em caso de incêndios florestais, são os que estão mais bem preparados fisicamente", vincou o comandante.

A corporação de Baião começou já a sentir a falta dos elementos, que são este ano menos duas dezenas nas ECIN, comparativamente com o mesmo período do ano passado.

No Marco de Canaveses, a emigração levou 12 homens, grande parte com vários anos de serviço.

A corporação daquela cidade tem no ativo 128 bombeiros. Contudo, de acordo com o comandante Sérgio Silva, "todas as semanas emigram homens".

Apesar daquele fenómeno, no verão, com as férias dos elementos que estão emigrados, as corporações observam um aumento considerável no número de bombeiros nos quartéis, o que que acaba por ajudar no combate aos incêndios florestais da época estival.
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