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A alimentação do diabético

em Sab Jun 28 2014, 17:44
O consumo excessivo de proteínas, lípidos, glícidos e sal conduz ao desenvolvimento das doenças crónicas, entre as quais a Diabetes Mellitus Tipo 2.
A alimentação do diabético não difere muito da das pessoas que comem adequadamente, isto é, que ingerem diariamente nutrientes em proporções adequadas à idade, sexo, actividade física e situação de saúde. A ideia de que se deve retirar por completo da alimentação os hidratos de carbono já foi refutada cientificamente. A alimentação não deve diferir significativamente da recomendada para toda a família (3), sendo o comportamento alimentar extremamente difícil de modificar (5).
As correcções dos hábitos alimentares do diabético devem ser extensíveis à família, de acordo com a ideia de que o interesse e participação da família no tratamento facilitarão a adopção de atitudes mais conducentes à saúde.
As recomendações alimentares para a diabetes Mellitus Tipo 1 e Tipo 2, são idênticas. Contudo, na diabetes Mellitus Tipo 2 a presença de obesidade motiva um regime alimentar hipocalórico, de modo a que o utente diminua de peso (que não deve exceder os 0,5-1 Kg/semana). Uma redução de peso de 5 a10 Kg parece ser suficiente para ajudar à normalização dos parâmetros biológicos (3).
A alimentação do diabético deve ser repartida em 6 ou mais refeições diárias, e os alimentos devem ser seleccionados de acordo com os conceitos gerais relacionados com a alimentação equilibrada. Para além das três refeições principais (pequeno-almoço, almoço e jantar) devem ser feitas mais três pequenas refeições (a meio da manhã, ao lanche e à ceia antes da hora de deitar).Não é aconselhável um período superior a 2-3 horas sem comer durante o dia; de noite pode fazer-se um jejum de 8 horas (3).
A ingestão de proteínas deve ocorrer de forma moderada (3), cerca de 10 a 20% das calorias diárias, o que corresponde aproximadamente a 120 gr de carne ou peixe por refeição. Na presença de nefropatia diabética este consumo não deve exceder os 10% de calorias diárias ou seja cerca de 120 gramas de peixe ou carne diárias.
As principais fontes de proteínas são a carne, o peixe, o queijo, os ovos, o leite, as ervilhas e o feijão.
As proteínas fornecidas pela ingestão de um ovo equivalem às fornecidas na ingestão de uma costeleta ou bife. O consumo de 2-3 ovos por semana é tolerável se o colesterol e/ou a albumina não estiverem elevados.
As gorduras devem ser evitadas (3). Estas são prejudiciais para todas as pessoas mas no utente diabético tornam-se perigosas devido à sua susceptibilidade aumentada para as doenças cardiovasculares.
Deve ser dada preferência à ingestão de alimentos cozidos ou grelhados e sem molhos, bem como, o uso de manteiga, margarinas, queijo magro ou fiambre, para tempero ou em associação com outro alimento (como o pão), mas em quantidades muito reduzidas. Os assados, fritos, guisados e estufados devem ser evitados, devendo preferencialmente, não exceder uma frequência de 2-3 refeições por semana (a avaliar segundo o peso do doente e o equilíbrio metabólico).
O consumo de gorduras de origem animal - ácidos gordos saturados - é mais prejudicial do que o consumo de gorduras de origem vegetal - ácidos gordos mono e poli insaturados - devendo por isso ser evitado/ingerido com muita moderação.
É preferível o consumo de peixe em comparação com o da carne. Quando carne é a opção de gosto da pessoa, a opção de aves é a mais adequada/saudável, devendo ainda a gordura da carne ser retirada antes da sua confecção. O uso de enchidos ou fumados deve ser muito reduzido.
No que respeita ao consumo de leite e iogurtes, estes devem ser magros ou meio - gordos.
De uma forma global, o consumo de gorduras diário deve corresponder a 25-30%, sendo 10% poli insaturados (azeite), 5-10% em gorduras saturadas (leite, natas, queijo, banha, carne, margarinas sólidas) e 10% em mono insaturadas (óleos vegetais, margarina poli-insaturada) (2).
A ingestão de hidratos de carbono permite obter energia e, na ausência de obesidade, o consumo diário deve ser de 50-60% das calorias (2).
Pão, arroz, batatas, massas, favas, feijão, grão e ervilhas são alimentos ricos em hidratos de carbono.
Os açúcares que habitualmente consumimos são açucares simples ou monossacárideos (ex: frutose – existe na fruta), açucares complexos ou dissacárideos (ex: sacarose – açúcar de mesa; lactose – do leite) e açucares mais complexos ou polissacarídeos (ex: amido – existe na batata nos cereais, no pão, nas leguminosas e nas massas) (1).
Os açúcares mono e dissacarídeos têm uma estrutura molecular simples e por isso são de fácil absorção, os polissacarídeos têm uma estrutura mais complexa, sendo a sua absorção mais lenta. Não é o tipo de açúcares que afecta a glicose no sangue mas sim a quantidade total de hidratos de carbono que se consome, não existe diferença entre o efeito da frutose e o efeito do açúcar existente em doces e sobremesas (4).
Como já referido, o consumo de açúcar não é hoje em dia proibido ao utente diabético. Contudo, a ingestão de alimentos açucarados deve ocorrer de preferência no final das refeições e o utente deverá substituir a quantidade de hidratos de carbono fornecida pelo doce ou sobremesas, retirando quantidade similar nos alimentos escolhidos para a refeição. Por exemplo: a ingestão de uma nata com 25 gr (12 gr de hidratos de carbono e 74 calorias) deve levar o utente a retirar dessa refeição meio pão, ou uma batata de 75 gr, ou por exemplo 30 gr de arroz cozido. Este processo de substituição, exige conhecimento sobre a composição dos alimentos e respectivo aporte calórico. Existem tabelas de equivalências acessíveis ao diabético.
O açúcar é um alimento de má qualidade, não tem fibras, sais minerais, nem vitaminas. No processo de substituição, é difícil obter equivalências idênticas em termos de hidratos de carbono e calorias, havendo também ingestão de gorduras. No diabético Tipo 2 obeso, um dos objectivos do tratamento é a redução ponderal, pelo que o consumo de doces não é aconcelhável (3).
No utente diabético Tipo 1 com controlo metabólico estável e bom estado nutricional, é aceitável a ingestão de doces uma vez por semana, após o almoço. No caso do utente diabético Tipo 2 e obeso, só é aconselhável o consumo de doces em dias de festa, o que significa muito raramente (4).
A fruta deve ser consumida de forma moderada, fazendo parte da mais aconselhada os citrinos, cerejas, maçã, amoras, peras, framboesas, alperces, damascos e pêssegos.
Para além do mais, o utente diabético deve ingerir pelo menos 2 litros de água, consumida ao longo do dia (excepto se restrição médica), mas deve evitar beber sumos e refrigerantes doces e gaseificados.
A ingestão de bebidas alcoólicas deve ser moderada e ponderada do ponto de vista clínico, devendo ocorrer á refeição, dando preferência a vinho (em detrimento das bebidas destiladas). Existem estudos que divulgam que o álcool quando consumido em quantidade moderada (120 ml/refeição) tem uma acção preventiva na formação de placas de ateroma e no aparecimento das doenças cardiovasculares. Estes estudos realizados em pessoas saudáveis podem ser extensivos ao diabético caso este não apresente complicações e, apresente compensação metabólica estável.
O álcool tem um efeito hipoglicémico e hiperglicémico consoante a hora a que é ingerido. Se for consumido em jejum pode provocar hipoglicémia, porque impede a neoglicogénese e diminui o glicogénio (a hipoglicémia pode acontecer 5 a 6 horas após a ingestão de álcool, podendo ainda conduzir a cetoacidose). Se for consumido no período pós-prandial pode provocar hiperglicémia porque inibe a acção da insulina pelo seu efeito a nível muscular (reduzindo a passagem da glicose para o interior das células musculares) (4). Nos diabéticos insulino-tratados o álcool pode provocar hipoglicémia porque dificulta a eliminação da insulina, permanecendo mais tempo em circulação para além de dificultar a percepção dos sintomas de hipoglicémia.
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