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Cancro: Os tratamentos revolucionários em Portugal

em Ter Dez 03 2013, 22:53
Cancro: Os tratamentos revolucionários em Portugal


Já é possível eliminar tumores em quatro minutos com uma única dose de radioterapia e é mais fácil detectar a doença com testes genéticos

Por Luís Silvestre

“O cancro não é uma doença. São várias doenças muito diferentes”, sublinha Sobrinho Simões, director do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup). O médico e cientista diz que esta nova abordagem, agora aceite por médicos e cientistas, tem criado medicamentos mais precisos, dirigidos apenas às células dos tumores e feitos à medida de cada doente. Este não é o único avanço na luta contra o cancro em Portugal.

Registaram-se progressos nas análises dos genes associados aos vários tipos de cancro, que permitem fazer o diagnóstico e o tratamento com mais rigor. 

Há mais opções de quimioterapia e cirurgia mais avançada. “A radioterapia foi um dos campos que progrediu imenso. Agora é mais precisa e permite fazer os tratamentos em menos sessões do que anteriormente”, diz Zvi Fuks (na foto), director do Centro Clínico da Fundação Champalimaud. 

E os doentes beneficiam de cuidados terapêuticos com equipas multidisciplinares. “Muitos centros incluem, além dos médicos, biólogos moleculares, físicos e engenheiros informáticos altamente especializados”, sublinha Luís Costa, director do Instituto de Medicina Molecular e médico no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. 

A SÁBADO revela como as novas tecnologias revolucionárias já estão a ser aplicadas em Portugal e como estão a melhorar a qualidade de vida de muitos doentes. 


Melhor tecnologia 

Carlo Greco, director do departamento de radioterapia do centro clínico da Fundação Champalimaud, em Lisboa, olha para os monitores da sala de tratamento. Lá dentro, está um doente deitado numa maca prestes a iniciar uma terapia inovadora ali desenvolvida para tratar tumores do pulmão em fase inicial. As imagens nos ecrãs mostram o tronco do paciente, com linhas vermelhas e verdes a assinalar os órgãos vitais. O especialista aponta para uma pequena mancha, com um centímetro de diâmetro, perto do coração. “Isto é o tumor”, explica. “Agora vai ser aplicada a radiação para o eliminar.” Passados 4 minutos e 14 segundos o tratamento termina. “Já está. Basta uma única sessão para eliminar o tumor.” 

Este exemplo mostra os enormes progressos médicos no tratamento do cancro. As modernas máquinas de radioterapia que há nos centros oncológicos do País são cada vez mais eficazes a eliminar os tumores sem danificar muito os tecidos saudáveis. O sistema desenvolvido na Fundação Champalimaud, e que é pioneiro a nível mundial, acrescenta uma nova tecnologia para aumentar ainda mais a precisão neste tipo de tratamentos. Antes de irradiar o tumor, são colocados no pulmão do doente três pequenos chips electrónicos à volta da zona onde se localiza o cancro, através de broncoscopia (um tubo que se insere nos brônquios e que permite visualizar o interior do pulmão).


Na foto, cientista do Instituto de Medicina Molecular, em Lisboa




Esses aparelhos minúsculos, pouco maiores do que um grão de arroz, são inertes e ficam fixados no interior do corpo por filamentos metálicos, como se fossem anzóis microscópicos. Depois, transmitem sinais electrónicos para a máquina de radioterapia, em tempo real, mostrando a localização do tumor e as oscilações de movimento causadas pela respiração. O equipamento é calibrado para emitir radiação apenas para a zona do tumor, com impulsos que cessam quando o alvo se desloca de sítio. “No fundo, esta é uma espécie de GPS celular, para irradiarmos as células cancerosas sem danificar muito os tecidos saudáveis.” 

Esta tecnologia de localização ajustável foi desenvolvida pelos investigadores da Fundação Champalimaud. “Depois do tratamento o doente pode ir logo para casa, apenas sentirá algum cansaço nos dias seguintes, mas faz parte do processo natural de cicatrização interna. Ao fim de três ou quatro meses não haverá vestígios do tumor”, explica Nuno Pimentel, médico rádio-oncologista que acompanha o processo.


O especialista sublinha que a técnica, para já, só está a ser aplicada em casos de cancro do pulmão em estádios iniciais, quando o tumor está muito bem localizado e não tem muito mais do que um centímetro de diâmetro. “Mesmo assim, as vantagens são enormes. O doente que fez o tratamento neste dia apresentava restrições médicas para ser um candidato a uma cirurgia convencional, pois já tinha tido um AVC e uma anestesia geral seria arriscada. Além disso, o tumor estava muito perto do coração. Desta forma, o cancro foi tratado com o doente acordado, sem ter qualquer dor ou incómodo.” Depois do tratamento, o doente confirma: “Não senti nada. Já acabou?” O médico acrescenta que a mesma tecnologia tem potencial para ser usada em outros tipos de tumores e que já está em estudo a sua aplicação em cancros da próstata. 



Em grande medida, este trabalho é fruto do aperfeiçoamento deste tipo de equipamentos. O software avançado permite obter imagens de alta resolução e os impulsos de radiação são muito precisos. “Mesmo assim, ainda há doentes que preferem a cirurgia convencional, que continua válida para este género de situações. Mas agora os médicos têm mais esta opção, que pode ser aplicada em casos onde a operação tem inconvenientes”, sublinha Zvi Fuks.


Na foto, cientista do Instituto de Medicina Molecular, em Lisboa




Antigamente, os pacientes tinham de ser sempre submetidos a vários ciclos de radioterapia para se conseguir eliminar os tumores. Agora, como a precisão dos aparelhos é maior, é possível em muitas situações diminuir o número de sessões de radioterapia ou mesmo aplicar a técnica uma só vez, com alta dosagem de radiação, quando o tumor está muito bem localizado. Ou seja, há mais hipóteses para os médicos escolherem o que é mais indicado para cada doente. 

Sandra Casimiro, investigadora da unidade de Oncologia do Instituto de Medicina Molecular, em Lisboa, mostra outro dos instrumentos modernos que têm ajudado a melhorar o diagnóstico de vários tipos de cancro: um microscópio com laser incorporado capaz de isolar células cancerosas presentes nas amostras que são enviadas de vários hospitais do País. “Este equipamento pode mesmo separar fragmentos de material genético que seja preciso analisar”, explica. Depois indica no ecrã uma amostra retirada de um paciente, onde se conseguem ver células normais com outras cancerosas no meio. “Conseguimos distinguir as que estão alteradas e depois podemos separá-las para as analisar com mais pormenor


António Moreira, médico do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa salienta ainda o avanço das técnicas de cirurgia convencional aplicadas ao cancro. “Hoje, já se consegue retirar muitos tumores conservando mais os órgãos onde surgem”, explica, dando como exemplo as operações para remover tumores no fígado. Também no caso do cancro da mama é possível fazer cirurgias reconstrutivas mais perfeitas quando têm de se remover as glândulas mamárias. Em muitos casos, a intervenção é ainda menor. “Antigamente, um dos procedimentos mais comuns consistia em retirar todos os gânglios na zona do peito das doentes e um dos efeitos secundários frequentes eram dores que permaneciam para o resto da vida.”




Actualmente, graças ao progresso dos testes de diagnóstico e ao aperfeiçoamento dos instrumentos cirúrgicos, em muitas situações já é possível extrair apenas os tumores e danificar pouco os tecidos saudáveis. Joaquim Abreu Sousa, cirurgião do IPO do Porto, acrescenta outro factor fundamental: “A melhoria das técnicas de imagiologia permite que os cirurgiões identifiquem e localizem com mais exactidão os tumores que precisam de remover nas operações.”



Remédios dirigidos a cada tumor 




José Antunes (na foto), 57 anos, guia turístico, descobriu que tinha cancro há três anos. Os médicos extraíram-lhe vários pólipos cancerígenos do intestino mas a doença já tinha alastrado para o fígado e para as glândulas supra-renais. “A certa altura o tumor no fígado já tinha quase 10 centímetros e disseram-me que não era operável. Restavam-me apenas os tratamentos paliativos”, recorda. Mas os avanços científicos vieram alterar o caso. Os médicos sugeriram-lhe um novo medicamento, composto por substâncias chamadas anticorpos para bloquear a acção de células cancerosas. Para sua surpresa, o tumor diminuiu. Passou por alguns efeitos secundários desagradáveis, como hemorragias, mas não se arrepende da experiência. “Consigo ter a minha independência, continuo a conduzir e vou buscar a minha neta.” 

Este novo tipo de fármacos é composto por moléculas que se ligam apenas a alguns compostos presentes nas células cancerosas, ou seja, são apontados a alvos específicos. “Hoje, sabe-se que os cancros são muito diferentes entre si. Mesmo numa mesma pessoa, dois tumores podem ter características distintas, por isso os laboratórios farmacêuticos têm lançado várias substâncias cada vez mais especializadas para bloquear as células cancerosas de forma mais precisa”, sublinha José Carlos Machado, investigador do Ipatimup. 

O princípio é como o dos mísseis usados na guerra que apontam para alvos concretos e bem definidos. Os medicamentos mais recentes são feitos com moléculas que se ligam a um dos componentes do tumor, geralmente bloqueando a sua acção e levando à morte das células malignas. Funcionam como uma chave que entra numa fechadura, encravando-a. E como só se ligam a partes de células cancerosas, os tecidos saudáveis são pouco afectados.



O arsenal de drogas para combater a doença também inclui fármacos mais precisos que inibem a formação de vasos sanguíneos à volta dos tumores sólidos para lhes levar alimento. Os cientistas descobriram que as células malignas enviam sinais químicos para o organismo, estimulando o crescimento de artérias em seu redor, mas quando esse mecanismo é bloqueado os tumores acabam por definhar. “No fundo, o que este tipo de fármacos faz é matar o tumor à fome”, diz José Carlos Machado (na foto). 



Esta abordagem de guerra bioquímica altamente dirigida e especializada deu bons resultados em vários tipos de cancro, como o da mama e da próstata, e ainda em linfomas (tumores sanguíneos) ou melanomas (de pele). Mas, apesar de parecer uma solução simples, nem sempre resulta, pois as células cancerosas acabam por desenvolver resistência a muitas drogas ao fim de algum tempo e voltam a desenvolver-se. Apesar de tudo, o maior número de medicamentos destinados a diversos tipos de cancro permite ter um maior leque de escolha para os médicos poderem sugerir a terapia mais adequada a cada caso e durante a evolução da doença. “O cancro pode não ser curável, mas neste momento é mais controlável. Se um determinado fármaco deixa de funcionar, pode usar-se outra droga. Até porque hoje sabe-se que o tumor evolui ao longo do tempo. Aquilo que é detectado no início do diagnóstico pode ser muito diferente ao fim de alguns meses”, esclarece José Carlos Machado.


A Oncologia moderna é cada vez mais feita à medida de cada paciente. Até há poucos anos, os médicos tinham apenas como alternativa o uso de cirurgia, radioterapia ou quimioterapia. Estes métodos continuam válidos e as descobertas recentes indicam que a chave do tratamento com sucesso pode ser a combinação de várias técnicas. Um dos exemplos consiste em aliar a quimioterapia, que destrói todo o tipo de células que estão em multiplicação muito acelerada (por isso é que um dos efeitos secundários é a queda do cabelo), com novos medicamentos moleculares dirigidos ao tumor. Assim, a doença é atacada em duas frentes. 



Agora está a ser aplicada uma nova geração de fármacos que alia as vantagens de duas classes, por exemplo juntando um anticorpo com uma molécula de quimioterapia. “É como um carteiro que entrega o veneno apenas na morada certa: a célula do tumor”, conclui Duro da Costa, médico no IPO de Lisboa.


O trunfo da genética 

Luísa Maria Carmo (na foto), comerciante, 63 anos, gosta de passear e visitar a família. É uma sobrevivente de cancro da mama. Os primeiros sinais da doença surgiram há cerca de 10 anos. “Senti um pequeno caroço no peito e fui ao médico. Já tinha casos de cancro na família e estava de sobreaviso”, conta. Fez quimioterapia e cirurgia para extrair os tumores e vários exames clínicos para determinar o melhor tratamento. “Cada vez mais fazemos terapias à medida de cada doente, depois de analisar as alterações genéticas associadas ao cancro. Antigamente, tratava-se o cancro da mama da mesma maneira. Hoje, sabemos que há pelo menos três grandes subtipos da doença, identificados através de testes genéticos, e que são tratados de maneiras totalmente distintas”, explica Luís Costa, médico oncologista do Hospital de Santa Maria e investigador do Instituto de Medicina Molecular. 





Há novas drogas e métodos de diagnóstico que são dirigidos especificamente aos genes das células cancerosas. Isso permite que haja menores efeitos secundários, pois não afectam tanto as células saudáveis. “Os progressos médicos nesta área são enormes, sobretudo nos cancros da mama, cólon e pulmão, que são dos mais frequentes”, sublinha Manuel Teixeira, médico geneticista do IPO do Porto. O especialista acrescenta que já foram identificadas dezenas de alterações genéticas nas células cancerosas que dão origem a proteínas específicas. Um dos avanços mais marcantes da Medicina nos últimos anos foi a produção de moléculas que se ligam apenas a essas proteínas típicas de alguns tipos de cancro. É a chamada terapia dirigida.


Nestes casos, usam-se os chamados anticorpos monoclonais, produzidos em laboratório, mas que têm uma estrutura semelhante às moléculas que compõem o sistema imunitário humano. 



Estas alterações genéticas nas células cancerosas podem ser hereditárias ou adquiridas ao longo da vida, por exposição a subs-tâncias tóxicas, radiações ou vírus. O diagnóstico precoce é um dos factores que mais contribui para vencer a doença e, neste capítulo, a Medicina também teve grandes progressos na detecção de anomalias mesmo antes de haver qualquer sinal.

É que algumas mutações detectadas pelos modernos métodos da genética clínica têm uma alta probabilidade de dar origem a cancros. Por isso, muitos doentes optam por prevenir o aparecimento da doença, mesmo que isso implique medidas mais extremas, como por exemplo a cirurgia de remoção da mama. O recente caso mediático da actriz Angelina Jolie, que tinha uma mutação hereditária deste tipo de tumor e decidiu fazer a operação, não é um exemplo isolado. “Só aqui no IPO do Porto conheço pelo menos 40 casos de mulheres que tomaram essa decisão”, diz Manuel Teixeira (na foto).


Quando o património genético herdado apresenta um risco muito elevado de poder desencadear alguns tipos de tumores, os médicos recomendam que os doentes sejam seguidos em consultas de risco familiar, que funcionam nos IPO. Estas famílias são alvo de vigilância mais regular, com exames médicos frequentes, permitindo detectar cedo o aparecimento de problemas. 



Além de alguns tipos de cancro da mama e dos ovários, também há casos de cancro do cólon que se encaixam nesta categoria. Os médicos recomendam colonoscopias mais frequentes para identificar e extrair os pólipos, pequenas saliências no intestino que podem dar origem a tumores. É uma microcirurgia que não é complicada e que tem salvo muitas vidas nos últimos anos. 

A genética tem registado progressos não só a encontrar as mutações hereditárias mas também as adquiridas. Isso permitiu, por exemplo, afinar o tratamento de muitos doentes. “Descobriu-se muito recentemente que as pessoas que têm uma falha num gene chamado KRAS não respondem bem à chamada terapia dirigida com anticorpos. Aliás até pioravam com aqueles medicamentos de última geração. Desde o mês passado que se começou a fazer este teste genético prévio, para encontrar a melhor estratégia terapêutica para cada doente”, diz Manuel Teixeira.


O especialista acrescenta que as novas tecnologias vieram permitir realizar análises genéticas mais rápidas e com mais pormenores sobre cada doente. É agora possível, por exemplo, identificar uma mutação presente em alguns tumores no cancro do pulmão que podem ser tratados com anticorpos. Noutros casos, os doentes têm alterações genéticas em que os tumores reagem melhor à quimioterapia clássica. Ou seja: este tipo de análise torna possível estabelecer uma receita médica mais à medida de cada paciente. “Algumas destas descobertas são muito recentes, alguns dados só surgiram no ano passado mas já estão a beneficiar os doentes actualmente”, diz o especialista. 

No caso do melanoma, o cancro de pele mais agressivo, foi desenvolvido um teste para detectar uma mutação que reponde bem às terapias biológicas com anticorpos. “Hoje, é corrente fazer um teste genético na altura do diagnóstico e também durante o tratamento para afinar os métodos terapêuticos aplicados.” No caso das leucemias, os progressos foram muito significativos. Na leucemia mielóide crónica, por exemplo, a taxa de sobrevivência é superior a 95%.

Até há pouco tempo, um dos maiores obstáculos da genética médica era o tempo que este tipo de análises demoravam. Muitas vezes, decorriam ao longo de várias semanas ou meses. Com as novas máquinas sequenciadoras, que lêem o código genético das células, o processo tornou-se muito mais rápido. “Já há equipamentos capazes de identificar 94 genes implicados em vários tipos de tumores em poucas horas, nomeadamente no cancro da mama e do cólon. Tudo numa única análise e em poucos minutos. Nas próximas semanas, o IPO do Porto irá receber uma máquina deste género”, sublinha Manuel Teixeira.


A Aliança das Hormonas 

Margarida Marques (na foto), 45 anos, lembra-se bem do dia em que o cancro de mama deu o primeiro sinal. Foi em Agosto, há três anos, e estava a passar um dia com os amigos e os filhos, despreocupada, a dar mergulhos no rio. “Quando saí da água, senti uma dor no peito e na altura nem liguei muito. Pensei que tinha apenas dado um mau jeito.” Os dias foram passando e a dor permanecia. Decidiu ir ao médico e fez vários exames e análises. O processo durou cerca de um mês. Foi-lhe detectado um tumor na mama que já tinha metástases nos ossos. 



Há alguns anos, casos como este seriam muito difíceis de tratar, mas agora a medicina tem várias armas ao seu dispor e os tratamentos deste tipo de cancro permitiram reduzir muito a mortalidade e melhorar a qualidade de vida dos doentes. No cancro da mama, a evolução foi enorme. Um dos progressos foi a possibilidade de identificar vários tipos diferentes de tumores. Um deles pode ser controlado, bloqueando os receptores internos das células cancerosas que reagem aos estímulos das hormonas, os estrogénios que circulam no corpo da mulher. “Esta hormonoterapia permite anular um dos factores de crescimento do cancro e combater assim a doença”, explica Fátima Cardoso, oncologista do Centro Clínico da Fundação Champalimaud. 

A especialista sublinha que as taxas de sobrevivência dos diferentes cancros da mama aumentaram muito nos últimos anos, sobretudo quando é feito o diagnóstico precoce. Mas mesmo quando só se detecta em fases mais avançadas há mais alternativas terapêuticas. “O essencial é que as doentes sejam seguidas em centros especializados de cancro da mama, com uma equipa de especialistas de várias áreas.”




Os medicamentos bloqueadores de hormonas funcionam como uma menopausa precoce. Foi essa a terapêutica seguida por Margarida Marques. A empresária recorda que os primeiros momentos após o diagnóstico foram difíceis, mas conta que depois aprendeu a viver com o problema. Toma uma injecção todos os meses e diz que os efeitos secundários são suportáveis: “Só peço às enfermeiras para não me mostrarem as agulhas”. A doença fez com que Margarida Marques alterasse o seu estilo de vida. Hoje, tenta controlar o stresse e passou a ter mais cuidado com a alimentação, faz refeições à base de vegetais e peixe, não come carne nem doces. “Por incrível que pareça, sinto-me mais saudável agora do que antes do diagnóstico.” 
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